Perguntas e Respostas
1. Os novos anticoncepcionais orais podem apresentar risco mais elevado para doença tromboembólica?
Aparentemente sim. O risco para doença cardiovascular relacionado com os anticoncepcionais orais com baixa dose de estrogênio é muito pequeno, e tanto as apresentações antigas como as mais recentes são muito seguras. Recentemente foram introduzidos no mercado alguns anticoncepcionais chamados progestágenos de "terceira geração", que contêm desogestrel ou gestodeno. Esses novos progestágenos foram desenvolvidos, em parte, porque ofereciam a possibilidade de diminuir ainda mais o risco cardiovascular. Todavia, dados epidemiológicos indicam que o risco para doença tromboembólica é aproximadamente duas vezes maior com esses novos progestágenos, mas essa diferença, embora aparentemente real, é muito pequena. Por outro lado, a doença cardiovascular relacionada com a pílula é incomum, e não parece aumentar com os progestágenos de terceira geração.
2. Os anticoncepcionais orais combinados causam câncer?
Não há nenhuma prova de que os anticoncepcionais orais causem os tipos mais comuns de câncer. Na verdade, os anticoncepcionais orais ajudam a prevenir dois tipos de câncer: o câncer de ovário e o câncer de endométrio. Alguns estudos concluiram que o câncer de mama e de colo uterino são mais comuns em algumas mulheres que usaram anticoncepcionais orais; outros estudos não concordam com isso. Pesquisas adicionais sobre este assunto estão sendo realizadas no momento.
3. A mulher deve fazer uma pausa no uso de anticoncepcionais orais depois de um certo tempo?
Não. Não há evidências de que a pausa tenha efeito benéfico. Esta prática pode levar a uma gravidez não desejada.
4. A pílula causa malformação nos bebês? O feto pode ser prejudicado se uma mulher grávida toma a pílula?
Há estudos que mostram que os bebês concebidos depois da mulher ter parado de usar anticoncepcionais orais não apresentaram deformidades por causa da pílula. Além disso, se uma mulher toma algumas pílulas acidentalmente enquanto está grávida, elas não causarão malformações nem abortos.
5. A pílula pode tornar a mulher estéril?
Não. As mulheres que engravidaram antes de tomar a pílula poderão ficar grávidas de novo quando pararem de tomá-la. Em algumas mulheres, a menstruação pode levar alguns meses para retornar normalmente.
6. A mulher pode tomar a pílula durante toda a sua vida reprodutiva?
Sim. Não há idade mínima ou máxima. Os anticoncepcionais orais podem ser um método apropriado para a maioria das mulheres, de todas as idades até a menopausa. Todavia, as fumantes com 35 anos ou mais não devem usar anticoncepcionais orais combinados enquanto não pararem de fumar.
7. A mulher pode tomar a pílula mesmo que não tenha tido filhos?
Sim. Tanto as mulheres com filhos como as que nunca os tiveram podem tomar a pílula com segurança.
8. A mulher deve submeter-se a uma consulta ginecológica antes de começar ou continuar usando a pílula?
A consulta ginecológica é fundamental para se indicar o uso ou não da pílula
9. A pílula faz com que a mulher se sinta fraca?
Não. A pílula não causa fraqueza. De fato, ela ajuda algumas mulheres a se sentirem mais fortes porque previne anemia. A mulher que usa a pílula perde menos sangue menstrual do que as outras mulheres. É assim que a pílula previne anemia. A mulher pode sentir-se diferente ao tomar a pílula e queixar-se disso como fraqueza, ou ela pode ter outros problemas que a fazem sentir-se fraca. Ela deve continuar tomando a pílula e procurar um serviço de saúde para saber a razão da fraqueza.
10. Se a mulher usa a pílula por muito tempo, ela terá proteção contra gravidez quando parar de tomá-la?
Não. Uma mulher está protegida contra a gravidez somente enquanto está usando as pílulas corretamente.
11. Uma mulher que fuma pode usar a pílula?
Mulheres com menos de 35 anos que fumam podem tomar pílula. As mulheres com 35 anos de idade ou mais devem optar por outro método. Mulheres com 35 anos ou mais que não podem parar de fumar poderiam tomar pílulas apenas de progestágeno. Todas as fumantes devem ser aconselhadas a parar de fumar.
12. O que devo fazer se esquecer de tomar 1 pílula?
Caso você se recorde nas primeiras 12 horas do esquecimento, tome a pílula esquecida e siga normalmente a seqüência da cartela. Caso tenha ultrapassado 12 horas, despreze a pílula esquecida tome a do dia, e utilize preservativo em suas relações, até o término da cartela, pois você provavelmente não está protegida.
13. O que devo fazer se esquecer de tomar mais de 1 pílula ?
Despreze as pílulas esquecidas e siga normalmente a seqüência da cartela. e utilize preservativo em suas relações, até o término da cartela, pois você provavelmente não está protegida.
14. Estou nos primeiros 3 meses de uso da pílula e estou tendo um sangramento vaginal discreto, o que devo fazer?
Não se preocupe, pois provavelmente você está tendo uma manifestação clínica chamada escape, que surge nos primeiros 3 meses de uso, e deve ser entendido como uma adaptação de seu corpo aos hormônios da pílula. Caso persista, contate seu médico.
15. Tenho menstruado pouco e por poucos dias desde que iniciei o uso de pílulas, isto é normal ?
A pílula anticoncepcional pode levar tanto a diminuição do fluxo menstrual como dos dias, não sendo isto nenhum problema médico.
16. As pílulas são todas iguais?
Não, no mercado brasileiro existem vários tipos de pílulas, e a diferença está no tipo de hormônio e na sua concentração, portanto, a pílula que serve para uma mulher pode não ser servir para outra, o que significativa dizer que cabe ao médico a escolha da melhor pílula.
Orientar sobre os problemas mais comuns:
As características e as condições apresentadas na lista acima, pertencem à categoria 1 de critérios médicos de elegibilidade da OMS. As mulheres com as características e condições médicas da categoria 2 da OMS também podem usar este método. Faça à mulher as perguntas abaixo. Se ela responder não a todas as perguntas, então ela pode usar os anticoncepcionais orais combinados de baixa dose, se assim o desejar. Se ela responder sim a alguma pergunta, siga as instruções.
1. Você fuma e tem 35 anos ou mais?
Não. Sim. Peça à mulher para parar de fumar. Se ela tem 35 anos ou mais e não aceita parar de fumar, não forneça ACOCs. Ajude-a a escolher um método sem estrogênio.
2. Você tem pressão alta?
Não. Sim. Sempre avalie a pressão arterial (PA): Se PA abaixo de 140/90: pode-se fornecer ACOCs sem medidas adicionais de PA; Se PA entre 140-159/90-99: pode-se fornecer ACOCs e verificar PA no retorno; se persistir nessa faixa, recomendar outro método ou monitorar cuidadosamente a PA em cada retorno. Se PA de 160/100 ou mais: não fornecer ACOCs. Ajude-a a escolher um método sem estrogênio.
3. Você está amamentando um bebê com menos de 6 meses?
Não. Sim. Pode fornecer os ACOCs com a instrução de iniciar o método quando parar de amamentar ou seis meses após o parto. Se a amamentação não for exclusiva, orientar para associar condom ou espermicidas. Outros métodos também eficazes são melhores escolhas do que os ACOCs, quando a mulher está amamentando, independentemente da idade do bebê.
4. Você tem qualquer problema sério no coração ou de circulação? Você já teve tais problemas? Que problemas foram esses?
Não. Sim. Não forneça ACOCs se a mulher referir história atual ou passada de doença cardiovascular, AVC, trombose venosa profunda, diabetes há mais de 20 anos ou com lesão ocular, neurológica ou renal: ajude-a a escolher um outro método eficaz.
5. Você tem ou teve câncer de mama?
Não. Sim. Não forneça ACOCs. Ajude-a a escolher outro método não-hormonal.
6. Você tem icterícia (olhos e pele com coloração amarelada), cirrose hepática ou tumor no fígado?
Não. Sim. Se ela tem doença hepática ativa e grave, não forneça ACOCs e oriente-a na escolha de outro método não hormonal.
7. Você sofre de cefaléia intensa com visão turva com frequência?
Não. Sim. Se a mulher sofre de enxaqueca e refere visão turva, perda temporária de visão, escotomas cintilantes ou linhas em zigue-zague, dificuldade de fala ou locomoção: não forneça ACOCs e ajude-a na escolha de outro método sem estrogênio.
8. Você está tomando medicamentos para convulsões? Está tomando rifampicina ou griseofulvina?
Não. Sim. Se a mulher está tomando fenitoína, carbamazepina, barbitúricos, primidona, rifampicina, griseofulvina, forneça-lhe condons ou espermicidas para usar junto com o ACOC, ou assista-a na escolha de outro método eficaz, se o tratamento for prolongado ou se ela preferir.
9. Você acha que pode estar grávida?
Não. Sim. Forneça-lhe condons ou espermicida para usar até ter razoável certeza de que não está. Então ela poderá iniciar ACOCs.
10. Você tem tido sangramento vaginal maior do que o usual?
Não. Sim. Se a possibilidade de gravidez é baixa e a mulher tem sangramento vaginal que sugere uma condição médica subjacente, ela pode usar os ACOCs, pois nem a condição nem o seu diagnóstico serão afetados pelo método. Avalie e trate a condição adequadamente e reavalie o uso de ACOCs de acordo com os achados.
11. Você sofre de problemas de vesícula biliar? Já teve icterícia quando estava usando ACOCs? Você deverá submeter-se a uma cirurgia que a deixará acamada por uma ou mais semanas? Você teve um parto nos últimos 21 dias?
Não. Sim. Se a mulher atualmente sofre de doença da vesícula biliar e toma medicação para isso, ou refere icterícia com o uso de ACOCs, não forneça ACOCs. Assista-a na escolha de um método sem estrogênio. Se há possibilidade de cirurgia a curto prazo ou parto ocorrido recentemente, ela pode receber ACOCs com instruções sobre quando começar a tomá-los posteriormente.
1. Momentos Apropriados para Iniciar o Uso Durante o ciclo menstrual
Nos primeiros sete dias do ciclo menstrual. Para pílulas de doses mais baixas, os fabricantes recomendam iniciar no primeiro dia do ciclo.
Importante:quanto mais precoce for o início de uso da pílula em relação ao início do ciclo menstrual, melhor é a sua eficácia nesse ciclo.
Quaisquer dos primeiros sete dias após o início da menstruação, se os ciclos são normais.
Em qualquer outro momento, se há certeza de que a mulher não está grávida. Se mais de sete dias se passaram desde o início da menstruação, ela pode iniciar o método mas deve evitar relações sexuais ou usar também condom ou espermicida durante os sete dias seguintes. O padrão de sangramento pode alterar-se temporariamente.
Após o parto, se estiver amamentando.
Após parar de amamentar ou seis meses após o parto, o que acontecer em primeiro lugar.
Três a seis semanas após o parto. Não é necessário esperar pelo retorno das menstruações para afastar possibilidade de gravidez.
Após seis semanas, desde que haja certeza de que a mulher não está grávida.
Após aborto espontâneo ou provocado.
Nos primeiros sete dias após a ocorrência do aborto.
Em qualquer outro momento, desde que haja certeza de que a mulher não está grávida.
Após parar de usar outro método.
Imediatamente. Não há necessidade de esperar pela próxima menstruação após o uso de injetáveis.
4. Procedimentos para Iniciar o Uso do Método
Antes de iniciar o uso de métodos anticoncepcionais, a mulher deve ser adequadamente orientada pelo profissional de saúde. Essa orientação deve abranger informações acuradas sobre todos os métodos anticoncepcionais disponíveis. Uma orientação adequada permite a tomada de decisão baseada em informações, traduzindo a "escolha livre e informada".