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PARTE DA MONOGRAFIA APRESENTADA AO TÉRMINO DO CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM HOMOTOXICOLOGIA - INSTITUTO BRASILEIRO DE ENSINO HOMEOPÁTICO - IBEHE

SÃO PAULO - 2001

CONCEITUAÇÃO

Devido ao avanço tecnológico, tem se observado um aumento significativo da perspectiva de vida. Tal situação que deve ser festejada fez com que aflorassem situações relacionadas ao envelhecimento que comprometem a qualidade de vida do indivíduo.

No que se refere a mulher esta situação criou condições para que uma mulher de 50 anos possa e deva viver até no mínimo os 80 anos ou mais devendo ser este período vivido com qualidade. Entende-se como qualidade a manutenção e uma vida ativa no seus mais variados aspectos, como por exemplo, social, profissional, sexual, emocional, etc

A palavra climatério deriva do grego e significa "período de crise ou mudança" (klimacton = crise), e deve ser entendida como o período de transição entre a fase reprodutiva ou menacme e a fase não reprodutiva ou senil da mulher. É consenso que o climatério se inicia em torno dos 40 anos estendendo-se até ao redor dos 65 anos, quando se estabelece a velhice. Durante este período ocorre a menopausa, (mens = "mês"; pausis = "pausa"), que é definida pela OMS como a parada permanente da menstruação, em decorrência da perda definitiva da atividade folicular ovariana. A idade média de seu aparecimento nos países industrializados situa-se nos 50 anos (entre os 48 a 52 anos).

Este período se caracteriza pela deficiência de hormônios esteróides sexuais resultante da insuficiência ovariana secundária ao esgotamento dos folículos primordiais, sendo na atualidade considerado como um distúrbio endócrino, já que esta deficiência pode acarretar para a maioria das mulheres, conseqüências patológicas genitais como extra genitais, apesar de existirem outras fontes de produção destes hormônios (estroma ovariano, gordura periférica e supra renais) que na maioria das vezes não conseguem suprir as necessidades orgânicas. Frente a esta situação, classifica-se o climatério em quatro tipos que são:

Tipo A - Climatério espontâneo estogênio-dependente (ovários intactos) - sem compensação ovariana

Tipo B - Climatério espontâneo não estrogênio-dependente (ovários intactos) - com compensação ovariana

Tipo C - Climatério por agenesia ovariana estrogênio-dependente (ovários ausentes)

Tipo D - Climatério iatrogênico estrogênio-dependente (ovários extraídos) - menopausa cirúrgica. 4

Apesar do climatério ser um evento fisiológico e de natureza genética, pode cursar com manifestações clínicas potencialmente deletérias à mulher, caracterizando um quadro nosológico conhecido por "Sindrome Climatérica " podendo se manifestar tanto na fase pré-menopausa como na pós-menopausa.

O surgimento da Sindrome Climatérica está intimamente relacionada a 4 circunstancias que são:

Déficit hormonal secundário devido a insuficiência ovariana
Fatores sócio culturais determinados pelo ambiente em que vive a mulher
Perfil psicológico da mulher
Presença ou não de fatores de risco e a integridade funcional prévia de órgãos e sistemas que dependam direta ou indiretamente da presença dos hormônios sexuais.5


HISTÓRIA

Na Bíblia encontramos talvez a primeira citação sobre o climatério , e relata a mudança de comportamento de Sarah "quando a menstruação cessou de estar com ela, como à maneira da mulher". Esta passagem expressa que a presença do fluxo menstrual está intimamente enraizada ao comportamento da mulher, e seu papel na sociedade, (de procriação, educação, etc.).

Por outro lado, o fluxo menstrual também é considerado em algumas culturas (judaica, por exemplo), como um evento de purgação de elementos tóxicos, o que as torna impuras neste período. Outra referencia sobre este tema pode ser vista na obra "História Naturalis" escrita por Plínio, o Velho (Caius Plinius Secundus) escritor latino, pesquisador nascido em Como, Itália, no ano de 23 d.C. que escreveu:

"O toque de uma mulher menstruada transforma o vinho em vinagre, empesteia a colheita, mata os arbustos, destrói jardins, embaça espelhos, cega as lâminas, enferruja o ferro e o bronze, mata as abelhas, torna azeda a cerveja".

Apesar da quase total falta de registros de manifestações clínicas do climatério na antigüidade, tanto Hipócrates como outros autores relacionavam a presença de sangramento pós menopausa com a morte nas mulheres que a apresentavam. 6

Somente a partir do século XVIII é que se encontram registros desta sindrome, sendo estas queixas relacionadas a sexualidade. Existia nesta época o conceito que o envelhecimento sexual se devia ao acumulo de toxinas que não eram eliminadas devido a retenção do fluxo menstrual, e a sua presença no organismo provocaria a destruição do corpo por dentro. Frente a esta assertiva as estratégicas terapêuticas da época eram direcionadas a eliminação deste sangue, o que era feito através da ingestão de substancias com o objetivo de restabelecer este sangramento, como também, a aplicação de sangrias em veias da vulva, ou a aplicação de sanguessugas na genitália.

A primeira referência médica sobre o assunto dada de 1727 em um "guia para mulheres" de autor anônimo, sob o pseudônimo ""A physician" (um médico), e neste guia era chamada a atenção par aos distúrbios que a maioria das mulheres apresentavam entre os 40 e 50 anos _"quando os fluxos começavam a falhar e por fim as abandonavam, elas eram freqüentemente perturbadas por severas dores de cabeça, coluna e quadris".

Na verdade, não foi somente este anônimo o único a associar estas manifestações clínicas com o climatério, em fevereiro de 1710 foi apresentada a primeira tese sobre esta tema na Universidade de Magdeburg, na Saxônia, por Simon Daniel Litius de Vratislávia, Silésia, atual Polônia.3

A partir de então, inúmeros trabalhos foram sendo realizados , principalmente na França, ao contrário do que ocorria na Inglaterra, que devido ao conservadorismo religioso considerava a climatério como um evento natural, ordenada por Deus, portanto, devendo ser tolerado, ou minimamente tratado. Já nesta época se estabelecia uma discórdia entre conservadores (ingleses) e radicais (franceses), mesmo antes desta sindrome estar elucidada.

O primeiro livro abordando exclusivamente a climatério foi publicado na França em 1812 por Gardanne, tendo sido empregado por primeira vez o termo "menopausa". Na Inglaterra foi publicado em 1857 por Edward Tilt o primeiro livro inglês sobre o assunto.

Somente no inicio do século XX coincidentemente com a revolução industrial é que deu-se maior relevância a estes distúrbios, e isto se deveu as profundas mudanças do papel da mulher na sociedade da época.

Com o descobrimento e isolamento do hormônio ovariano em 1923 por Allen e Doisy uma nova fase se iniciou, culminando com o inicio da experimentação clínica em 1930 na Alemanha da terapia de reposição hormonal.


ETIOPATOGÊNIA

O folículo ovariano é a unidade funcional dos ovários. São agrupados no decorrer da embriogênese na região cortical dos ovários entre 6 a 8 milhões, e contém em seu interior o ovócito em divisão meiótica. Além do ovócito, estão presentes grupos celulares diferenciados, chamados de células da teca e da granulosa, e são responsáveis pela esteroidogênese, que se inicia nas células da teca, pela ação do hormônio luteinizante que converte o colesterol em androgênios (androstenediona e testosterona), que por sua vez, se difundem nas células da granulosa onde, por ação do hormônio folículo estimulante, se convertem em estrogênios. (principalmente estradiol - E2). Os androgênios que atingem a circulação são convertidos perifericamente em estrona (E1) .

Os folículos desde a fase fetal recebem estimulação hormonal, o que os leva a apresentar um crescimento que os leva a várias fases que são:

Folículo primário

Folículo secundário

Folículo terciário

Folículo de De Graaf

Folículo atrésico

Este processo se inicia na vida fetal e se prolonga até a menopausa, sendo muito intenso na fase fetal, o que faz com que no nascimento encontremos somente um a dois milhões de folículos, no inicio da puberdade em torno de 400 mil e aos 45 anos por volta de 8 a 10 mil folículos, o que nos permite dizer que durante o menacme a mulher dispõe de mais ou menos 400 mil folículos para a esteroidogênese.

O número de folículos envolvidos neste processo vai diminuindo a medida que avança a idade da mulher, provocando um declínio da fertilidade e nas taxas de estrogênios, entre outros hormônios, provocando assim uma elevação nos níveis de séricos de FSH, antes ainda do instalação da menopausa.

Com o esgotamento desta população, observa-se o desaparecimento das células da granulosa e consequentemente da conversão dos androgênios em estrogênios, e a incorporação das células da teca ao estroma ovariano, o que sob ação do LH mantém a produção de androgênios, principalmente a androstenediona.

Com a falência ovariana, a esteroidogênese acontece por conversão periférica (principalmente no tecido gorduroso) dos androgênios em estrona, que apresenta uma resposta biológica bem inferior ao estradiol, e em níveis insuficientes .para manter a homeostase endócrina feminina.

Esta queda repercute de maneira importante sobre os tecidos e órgãos que contenham receptores para os estrogênios, provocando alterações funcionais e anatômicas dos mesmos, como também, influenciando inúmeros processos metabólicos que necessitem de sua presença para a sua realização.


ASPECTOS CLINICOS DA SINDROME CLIMATÉRICA

Considerando o exposto anteriormente, podemos agrupar as manifestações clínicas desta sindrome em 4 segmentos, que são:

Sintomas neurovegetativos

Sintomas neuropsíquicos

Sintomas uro-genitais

Doenças associadas

Os sintomas neurovegetativos encontrados, se devem às alterações observadas no eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, que pela falta do estrogênio, sofrem influencias na liberação de seus produtos (por exemplo: dopamina, serotonina, norepinefrina, histamina, acetilcolina, endorfinas, encefalinas, GABA, melatonina, GnRH, gonadotrofinas).

Os sintomas mais comuns deste grupo são:

Fogachos

Sudorese

Cefaléias

Palpitação

Vertigem

Zumbido

Estas alterações também podem provocar sintomas neuropsíquicos, que apesar de serem encontrados em outras fases da vida da mulher, são muito freqüentes neste período, como por exemplo:

Alteração do humor

Ansiedade

Diminuição da libido

Labilidade emocional

Astenia

Déficit de memória

Devemos considerar que fatores extrínsecos como aspectos sócioculturais, estilo e hábito de vida, atividade profissional, exercícios físicos, e dieta, podem influenciar na manifestação dos sintomas neurovegetativos e psíquicos deste período.

Quanto aos sintomas urogenitais, devemos entender que estes se devem ao fato de termos órgãos tidos como hormônio dependentes, e que na sua falta observam-se sintomas próprios da perda deste trofismo, como por exemplo:

Secura vaginal

Prurido vulvar

Dispaureunia

Predisposição a infecções uro-genitais

Sindrome uretral

Incontinência urinária

Dificuldade de esvaziamento vesical

Entende-se como "doenças associadas" a aquelas enfermidades que apesar de serem observadas em qualquer fase da vida da mulher, tem sua prevalência aumentada significativamente neste período, estando diretamente relacionada a falta dos estrogênos. Destaca-se as seguintes patologias:

Doenças cardiovasculares

Osteoporose

Dislipidemias

Diabetes Mellitus

Hipotireoidismo

Envelhecimento cutâneo

Câncer de mama

Câncer ginecológico

Câncer coloretal


HOMOTOXICOLOGIA - CONCEITOS GERAIS

O termo "HOMOTOXICOLOGIA" foi criado pelo médico alemão Dr. Hans-Heinrich Recheweg (1905-1985), com o intuito de agrupar seus estudos, investigações e conclusões sobre o fenômeno da enfermidade no ser humano.

Esta tese foi apresentada por primeira vez em 1951 no Instituto de Enfermidades Neurofocais de Baden Baden, na República Federal da Alemanha7, e publicada em 1955 no livro "Homotoxine und Homotoxikosen. Grundlagen einer Synthese der Medizin" .(Homotoxinas e Homotoxicosis. Fundamentos de uma sínteses da medicina), de sua autoria8.

A teoria da Homotoxicologia está baseada nos princípios da Homeopatia, aplicados ao conhecimento da moderna cibernética e integrados ao conceito médico da patologia humoral de Hipócrates, da patologia solidária de Giorgio Baglivi, (os responsáveis pelas enfermidades devem ser os elementos integrantes do organismo como portadores de vida que são, ou como causas, e não uma mescla confusa de humores: sangue, fleuma, bilis amarela e negra), os conceitos da patologia celular de Rudolf Virchow (1858) e os da patologia molecular ligada ao nomes de H. Schade e P. Grawitz (1946)8.

Fundamentalmente a Homotoxicologia entende que as enfermidades são a expressão de uma resposta defensiva do organismo contra homotoxinas endógenas e exógenas, ou o resultado de danos tóxicos que o organismo tenta compensar, com a finalidade de restabelecer dentro do possível a homeostase.
Em seus postulados, Dr. Reckeweg estabeleceu alguns princípios que são citados abaixo 9:

Todas as reações vitais baseiam-se na transformação de compostos identificáveis quimicamente, portanto, os princípios ativos de natureza química são fundamentais para a saúde e a enfermidade. Dentro deste contexto surge o conceito de "Homotoxinas", que são substâncias tóxicas ao organismo humano, e por esta razão ativadoras do Sistema de Grande Defesa. As homotoxinas podem atuar o serem transportadas do exterior (exógenas) ou formar-se dentro do organismo (endógenas) fruto de reações fisiológicas ou patológicas.

O organismo deve ser entendido como um sistema de fluxo (Ludwig von Bertalanffy 1901-1972), que estabelece que as substâncias entram no organismo, inter-relacionam-se com os órgãos produzindo mudanças e transformações, sendo finalmente eliminadas do organismo pelas vias naturais, portanto, o conceito de homeostase está intimamente relacionado a presença de substâncias saudáveis no organismo, pois não causam alterações no equilíbrio do fluxo, o que não acontece com a presença de substâncias tóxicas (homotoxinas), que quando presentes provocam reações de defesa que se manifestam em forma de enfermidade, o que permite afirmar que as enfermidades são a expressão de mecanismos de defesa biológicos contra homotoxinas endógenas ou exógenas, ou representam a tentativa do organismo de compensar os danos tóxicos que tenha sofrido.

Entende-se com Sistema de Grande Defesa ao conjunto de órgãos e sistemas coordenados harmoniosamente contra as homotóxicas, e é formado pelo Sistema retículo histiocitário (defesa humoral, através da formação de anticorpos, fagocitose, síntese de substâncias biologicamente ativas), o Sistema hipófise-suprarrenal (defesa hormonal, estimulação e inibição da inflamação, controle neuro endócrino), por reflexos neurais (defesa neural, síndrome de excitação e irritação (Reilly), desintoxicação hepática (defesa humoral, neutralização de ácidos, acoplamento homotoxônico, depósito de toxinas) e principalmente pela função desintoxicante do tecido conjuntivo mesenquimatoso (defesa humoral e celular, depósito de toxinas, reações antigeno-anticorpo, inflamação, formação de células fagocitárias, função defensiva de linfócitos e macrófagos).

Entende-se como "Homotoxicoses" às enfermidades causadas e ou mantidas por homotoxinas, estando classificadas em 6 fases distintas, levando em consideração a origem embrionária da estrutura afetada e o nível que se encontra a intoxicação homotóxica. Esta tabela deve ser entendida através da maneira pelo qual o organismo reaciona frente a ação patogênica das homotoxinas, sendo o sistema de grande defesa o responsável por esta ação. Quando esta reação resultar na neutralização e eliminação das homotoxicas pelas vias fisiológicas de drenagem (sudorese p.ex.) caracteriza a fase humoral de excreção. Quando esta eliminação ocorre através de processos patológicos (supuração, furunculose, p.ex.) caracteriza a fase humoral de reação. Quando ocorre impossibilidade de eliminar ou reacionar objetivando eliminar as homotoxinas, as mesmas são depositadas na matriz extra celular (pólipos em geral p. ex.), o que cria um estado lábil entre a ação nociva da homotoxina e os processos de defesa, caracterizando assim a fase humoral de deposição. As 3 fases descritas configuram uma situação aonde ainda não ocorreu dano celular, sendo perfeitamente possível a completa erradicação da enfermidade. Dentre os mecanismos encontrados para a neutralização das homotoxinas, ressalta-se a presença das "Homotoxonas" que são estruturas atóxicas e se caracterizam por ser o resultado da fusão de 2 homotoxinas ou de 1 homotoxina com um princípio ativo. Por outro lado, quando estamos frente a homotoxinas sumamente nocivas, ou frente a estados que alterem ou inibam os processos de defesa fisiológicos observados nas 3 primeiras fases, observamos o surgimento de "Retoxinas" que são compostos secundários de homotoxonas com metabólicos endógenos, e de homotoxinas que inicialmente aderem a membrana celular para a seguir penetrar na célula. Sua presença pode provocar alterações no funcionamento celular ou até permanecer latente, na verdade, nesta fase encontramos alterações funcionais da membrana celular. Esta fase é chamada de celular de impregnação e é nesta fase que se dá o corte biológico entre a saúde e a morte. A persistência do estado homotóxico faz com que surja a fase celular de degeneração, que se caracteriza pela destruição de estruturas intracelulares, o que significa dizer que nesta fase já se encontra células enfermas. A seguência desta fase é a fase celular chamada de neoplásica que se caracteriza pela perda da especificidade celular, com todas as repercussões esperadas desta situação (aparecimento de neoplasias p.ex.).

O aparecimento de enfermidades consecutivas pode ser considerado como um processo de defesa único e uniforme contra a mesma homotoxina e a mudança de sintomatologia se deve ao fato que os tecidos, conforme sua origem embrionária, reacionam de maneiras diferentes à mesma homotoxina, sendo tal fato chamado de efeito de vicariação ou fenômeno de vicariação, sendo chamada de progressiva quando se observa na tabela de homotoxicosis um deslocamento para a direita e para baixo, e regressiva quando se observa um deslocamento para a esquerda e para cima na tabela de homotoxicosis.

Portanto, todos os processos chamados de enfermidades devem ser conceituados como processos naturais , com o objetivo biológico de eliminar as homotoxinas.

A terapia antihomotóxica tem entre seus objetivos favorecer a eliminação das homotoxinas do organismo, como também, a estimulação na formação de homotoxonas.


HOMOTOXICOLOGIA - SINDROME CLIMATÉRICA

Do ponto de vista biológico, devemos entender a Síndrome Climatérica como um quadro nosológico de inadaptação, pois apesar da falência ovariana ser um evento fisiológico são poucas as mulheres que passam por este periodo de vida sem repercussões clínicas.

Na tabela de homotoxicoses a menopausa é alocada na fase celular de impregnação junto ao folheto germinodérmico, e o critério utilizado para este posicionamento é a atrofia observada nos ovários devido ao consumo de folículos ocorrido durante o menacme.

Por outro lado, a falta de estrogênios produz alterações em inúmeros setores do organismo da mulher, como por exemplo as irregularidades menstruais (fase humoral de excreção junto ao tecido germinodérmico e hemodérmico), os fogachos (fase de excreção junto ao tecido simpaticodérmico e neurodérmico), a sudorese profusa (fase de excreção junto ao tecido epidérmico), como também, a falta e/ou diminuição dos estrógenos apresentam uma relação direta com algumas neoplasias genitais, de mama e coloretal (fase celular de neoplasia), a osteoporose (fase celular de impregnação), e a perda do efeito protetor dos estrógenos sobre o aparelho cardiovascular.

Considerando o exposto acima, devemos entender que as manifestações clínicas da sindrome climatérica estão intimamente relacionadas ao estado homotóxico que se encontra a mulher quando da diminuição dos níveis de estrogênio.

O fato de encontrarmos fontes extra ovarianas produtoras de estrógenos nos leva a crer que o corpo da mulher foi programado a manter um mínimo de estrógenos circulantes com o objetivo de manter a homeostase.

Se considerarmos o fato da mulher na atualidade estar exposta a situações geradoras de homotoxinas podemos entender o porque da incapacidade destas fontes extra ovarianas em manter a homeostase, e o fato de encontrarmos uma plêiade de sintomas e patologias relacionadas com este evento.

Por outro lado, um estado homotóxico persistente irá influir de maneira marcante sobre o eixo hipotálamo hipofisário gonadal, produzindo alterações funcionais que entre outras conseqüências irá precipitar a falência ovariana, através da liberação desordenada de gonadotrofinas, como também, influenciando os mecanismos bioquímicos necessários para a elaboração da esteroidogênese, tanto de origem ovariana como extra ovariana.

Considerando que a falência ovariana é um evento fisiológico, e que as manifestações clínicas relacionadas a esta situação terem como denominador comum o hipoestrogênismo, tem-se considerado, do ponto de vista alopático a terapia de reposição hormonal (TRH), como o tratamento de eleição, tanto na forma de hormônios sintéticos ou com o uso de fito hormônios.

Na verdade a experiência clínica tem demonstrado que a TRH na maioria das vezes apresenta um resultado satisfatório na supressão da maioria dos sintomas, porém quando se interrompe o tratamento observa-se o retorno do quadro clínico.


CONCLUSÃO

Frente ao exposto, entendemos quer a sindrome climatérica deve ser tratada com o uso da TRH (quando necessária e indicada) associada a terapia antihomotóxica, nos seus mais variados níveis, o que permitirá uma adequada integração da mulher nesta nova fase de sua vida, podendo assim apresentar uma qualidade de vida plena.

Dr. Diogo Mastrorocco